imagem do portfólio da Aline Furtado

#ATERRARFOGO “Como construir confiança?”

No nosso primeiro encontro, cada uma fez uma breve apresentação das suas práticas artísticas e inquietações com o convite feito para participar dessa vivência de 5 dias. Abaixo algumas anotações que fiz durante as falas das meninas.

Lucy Fars, 28 anos, touro
veio de goiânia para fortaleza e mora na cidade há poucos meses. tem uma forte relação com suas tatuagens e também tatua e entende o processo de tatuar pessoas como um ritual sagrado. falou do seu interesse nas relações e como pensava nisso com na prática de retratos e do seu interesse atual em cartografias ou na construção de mapas sentimentais como processos de cura.

Isadora Teixeira, 22 anos, câncer
falou sobre a invenção de um corpo novo para si e de formas de trabalhar com esse corpo. sobre como o excesso de cuidado com o corpo também pode se transformar em disciplina e controle. gosta de sentir a sensação de deslizar na incerteza e questiona a importância de corpos trans ocuparem espaços institucionalizados.

Terroristas Del Amor
Dhiovana Barroso, 25 anos, libra
Marissa Noana, 21 anos, leão
o trabalho que desenvolvem é essencialmente autobiográfico e discute a existência de mulheres lésbicas, negras e periféricas em relação com a cidade e o entorno. “como estar à vontade num espaço?”. entendem o corpo como um campo de batalha, em que muitas vezes a dor “dói até chegar num nível de dormência”. palavras-chave: fúria, luta, mulheres que cuidam de mulheres, forog ardente, banho de assento.

Layla Fontenele, 22 anos, câncer
fotografia que busca enxergar a presença de corpos femininos na cidade. investiga as imposições e limitações impostas ao corpo feminino e pesquisa a ressignificação da buceta. “por que demonizar os fluídos?”, “heteroterrorismo”, “já sentiu o gosto que você tem?”. faz lambes com inserções de bucetas subliminares nos espaço públicos da cidade de Fortaleza. vê a masturbação como uma prática de auto-cuidado.

Aline Furtade, 33 anos, virgem
levanta seu contexto de vida e trajetória para chegar na aline-artista. filha de iemanjá com omolu, por muito anos atuou como advogada ao lado de movimentos sociais e foi formada na vida, nas ocupações. “a arte não me salva nem vai me salvar”, propõe com alguns trabalhos como um “grito-rito”. sua vivência e ancestralidade vem do sertão, o que gera um outro estado de corpo “no sertão você dá o melhor de si, na cidade você lida com a escassez”. “não é sobre cuidar de mim, mas poder oferecer cuidado”. e faz uma pergunta que guia os próximos dias “como construir confiança?”

 

imagem do portfólio da Aline Furtado