#ATERRARFOGO – Batatas feridas

 

O ano é 2019, momento significativo e trágico para corpos dissidentes no Brasil. Cinco mulheres artistas se encontram em uma residência para desenvolver práticas que buscam a emancipação do corpo e suas lesões durante uma semana. A cidade é Fortaleza, nome dúbio e controverso. Contradição que caiu muito bem para quem se encontra em uma situação de fuga / cura e longe de casa. Se sentir acolhida em um grupo de mulheres com biografias e corpos diversos. Algumas perguntas sobrevoam o espaço e nos atravessam. Como construir confiança? Como lidar com a complexidade da outra? Como sustentar os paradoxos?
Sem respostas concretas, nos envolvemos em rodas de conversa, comprometidas a trabalhar também a o corpo, a escuta, o olhar, o toque e o silêncio. Meditação.
Ao lado de tantas manifestações criativas e coletivas, me voltei ao elemento terra. Elemento que rege o meu signo solar e lunar: touro.
Pés tocam o chão. Rumino a terra. Me nutro de mundo.Quando me encontro em uma situação de deslocamento, de fuga em direção à fuga, o que levo comigo? De que diferentes formas meu corpo pode abrigar e contar minha história em transformação? Como o corpo-matéria se coloca às ordens do tempo-espaço?

 

 

Gosto de pensar em elementos naturais que nutrem nosso corpo-mente em suas necessidades primitivas. Rituais de cultivo, colheita e agradecimento à mãe-terra. Nutrição, ruminação e digestão a partir do que nos alimenta. E por fim, o sono que, para além da preguiça, é o momento em que produzimos memória, sonhos. Momento de assimilação do que vivemos acordados e não produzimos nada que move a máquina do sistema.

 

 

Talhar batatas, tatuar batatas, mergulhar batatas, carimbar com batatas. Acompanhar os processos de apodrecimento e decomposição. Imagens, símbolos e mensagens que me ajudam a assimilar essa história e criar pontos de contato com meus semelhantes.

Leva consigo essa lembrança e obrigada pela visita.

Até a próxima!